Nasceu em Licurizeiro, hoje Feira de Santana, Bahia, em 27 de julho de 1792. Bonita e dotada de rara inteligência, não sabia ler nem escrever. Como quase todas as mulheres de seu tempo no Brasil.
Em 1803, tendo cerca de dez anos de idade, perdeu a mãe, assumindo a responsabilidade dos afazeres domésticos e da criação de seus irmãos. Maria Quitéria aprendeu a montar, a caçar e a usar armas de fogo. Em 1822, quando se iniciam as lutas no Recôncavo Baiano pela Independência, fugiu de casa vestida com o uniforme militar de um cunhado, de quem adota o nome e patente, ficando conhecida como “soldado Medeiros”. Dirigiu-se à vila Cachoeira, onde se alistou no Regimento de Artilharia, até ser descoberta.
Defendida pelo major José Antônio da Silva Castro (avô do poeta Castro Alves), comandante do Batalhão de Voluntários do Príncipe, Maria Quitéria foi incorporada a essa tropa, em virtude de sua facilidade no manejo das armas e de sua reconhecida disciplina militar. Ao seu uniforme militar foi acrescentado um saiote à escocesa.
Em fevereiro de 1823 participou com bravura do combate da Pituba, quando atacou uma trincheira inimiga, onde fez diversos prisioneiros, escoltando-os, sozinha, ao acampamento. Em 31 de março de 1823, foi promovida ao posto de cadete, recebendo, por ordem do Conselho Interino da Província, uma espada e seus acessórios.
Em 2 de julho de 1823, o Exercito Libertador, da qual fazia parte Maria Quitéria, entrou em triunfo na cidade de Salvador, Bahia. Por seus atos de bravura em combate, o general Pedro Labatut, enviado por D. Pedro para o comando geral da resistência, conferiu- lhes as honras de primeira cadete.
Em 20 de agosto de 1823 foi recebida no Rio de Janeiro pelo imperador D. Pedro I em pessoa, que a condecorou com a Imperial Ordem do Cruzeiro, no grau de Cavaleiro. Além da comenda, foi promovida a Alferes de Linha.
Maria Quitéria veio a falecer aos 61 anos de idade em 1853, quase cega e no completo anonimato. É desconhecido o local de seu túmulo. Maria Quitéria foi homenageada com uma medalha militar e uma comenda com o seu nome na Câmara Municipal de Salvador, por decreto do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em 28 de junho de 1996. Maria Quitéria foi reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.
Maria Quitéria foi uma grande patriota, brilhante militar e heroína da Guerra da Independência. |