Nascida na cidade de São Paulo em 2 de agosto de 1894, Berta era filha de Amy Fowler, enfermeira e seu pai, o ilustre epidemiologista Adolfo Lutz. Formou-se em Ciências Naturais na Universidade de Paris, a Sobornne (França), especializando-se em anfíbios anuros, subclasse que inclui sapos, as rãs e perereca.
O assunto sobre batráquios: rãs, sapos e pererecas é muito relevante para os cientistas da área e um dos nomes mundialmente reconhecidos na especialidade foi o de Berta. Em 1919 começou a se destacar na busca de igualdade de direitos jurídicos entre os sexos, ao se tornar a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro, após ser aprovada em concurso do Museu Nacional no Rio de Janeiro, A primeira foi Maria José Rabelo Castro Mendes, admitida em 1918 no Itamarati.
Berta formou-se também em advocacia pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. No mesmo ano fundou a Liga para Emancipação Intelectual da Mulher. Em 1922 representou as brasileiras na Assembléia Geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana.
Ao regressar, criou a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, que substituiu a liga criada em 1919, para encaminhar a luta pela extensão do direito de voto às mulheres. O direito do voto feminino foi estabelecido por decreto-lei do governo provisório de Getúlio Vargas apenas dez anos depois, em 1932.
Em 1936 assumiu uma cadeira de deputado na Câmara Federal. Durante seu mandato defendeu a mudança da legislação referente ao trabalho da mulher e dos menores de idade, propondo a igualdade salarial, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas. Berta morreu no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 1976, aos 82 anos.
Berta Lutz foi cientista, líder feminista e política paulista. Foi uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país.
Trabalhou incansavelmente com o Conselho Nacional de Pesquisa na edição de um livro sobre a vida de seu pai, Adolfo Luz, na preservação da memória do ilustre cientista.
O Brasil destacou a participação de Adolfo e Berta, que foi homenageada recebendo o nome de uma rua no Rio de Janeiro. |