José Plácido nasceu em 9 de dezembro de 1873 na cidade de São Gabriel, Rio Grande do Sul. Ingressou na Escola Militar do Rio Grande do Sul, mas abandonou a carreira militar durante a Revolução Federalista para engajar-se nas forças rebeldes que lutam contra o governo de Floriano Peixoto. A Revolução Federalista, levante ocorrido no Rio Grande do Sul entre 1893 e 1899 envolvendo dois grupos políticos rivais, os “maragatos” comandados por Gaspar Silveira Martins, e os “pica-paus”, cujo líder era Julio de Castilho.
Mudou-se em seguida para o Rio de Janeiro então Capital Federal, onde se formou agrimensor. Logo depois de formado, em 1899, decidiu viajar para a região do Acre. Plácido de Castro discordava da maioria de seus companheiros da Escola Militar do RGS, e sempre combateu Floriano Peixoto, pois acreditava que Deodoro da Fonseca, o presidente anterior não deveria ter sido substituído por Floriano Peixoto. Achava-se que somente com, eleições diretas haveria democracia e não a posse imposta por Floriano, como ocorreu, do então vice-presidente.
Em 1901, os brasileiros radicados na região do Acre recusaram-se a aceitar a autoridade da Bolívia sobre o território. Plácido ficou sabendo que a Bolívia havia arrendado o Acre a uma companhia norte-americana, noticia que acirrou os ânimos entre bolivianos e brasileiros. Plácido viu nisso uma ameaça a integridade do Brasil, e arregimentou combatentes para o confronto armado com a Bolívia pela posse da região do Acre com um contingente de 60 seringueiros, venceu as tropas comandadas pelo General José Manuel Pando, presidente da Bolívia. Declarou o Acre um “Estado Independente”.
No mesmo ano, o Brasil comprou o Acre dos governos da Bolívia (majoritário) e do Peru e em 1904, ele é transformado em território por decreto federal.
No mesmo ano, Castro tornou-se seu primeiro governador do recém-criado território e dois anos mais tarde, é nomeado prefeito da cidade de Alto Acre. Demitiu-se do cargo pouco tempo depois, por incompatibilidade com o governo federal. Em 9 de agosto de 1908 Plácido caiu ferido numa emboscada na cidade de Seringal Benfica, ao sair de um encontro de conciliação com o novo prefeito, mas foi ferido por jagunços, próximo a sua propriedade e sob a liderança de Alexandrino José da Silva, que era o sub delegado na região.
No dia seguinte, ardendo de febre, implorou ao seu irmão, Genesco, de olhos fechados, na presença de vários companheiros ”Logo que puderes, retira daqui meus ossos”, direi com aquele general africano. ““ Essa terra que tão mal pagou a liberdade que lhe dei, é indigna de possuí-los “... tanta ocasião gloriosa para eu morrer”. Enfim, o herói e bravo rio-grandense foi covardemente assassinado, ficando esse crime para sempre impune. Seus ossos, porém, foram sepultados logo a entrada de um cemitério em Porto Alegre, RS.
Na frente do pedestal, a família fez questão de deixar gravados, um a um, nome e sobrenome dos seus 14 carrascos.
A anexação do Acre ao Brasil, teve a participação diplomática do grande estadista Barão do Rio Branco no Tratado de Petrópolis, RJ, assinado em 17 de novembro de 1903.
O Brasil adquiriu o Acre e indenizou a Bolívia com a quantia de dois milhões de libras esterlinas, cedendo também terras no Mato Grosso e propondo construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para escoar a produção boliviana pelo Rio Amazonas.
O intrépido gaúcho é o patrono do 4° Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro “Batalhão Plácido de Castro”.
Em 1976 foi criado um novo município que recebeu o nome de Plácido de Castro em sua homenagem, no Estado do Acre.
Em 17 de novembro de 2004 seu nome foi incluído no LIVRO DE AÇO DOS HERÓIS NACIONAIS, localizado no Panteão da Pátria, em Brasília.
A minissérie ”Amazônia” da rede de televisão “TV GLOBO” abordou a vida de Plácido de Castro, que foi interpretado pelo ator Alexandre Borges. |