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José Antônio da Silva Duque - historiasefatos@avozdacidade.com

ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA
O ALEIJADINHO

Nascido em 29 de agosto de 1730 em Bom Sucesso, Vila Rica, atual Ouro Preto, MG, era filho de um mestre-de-obras português e de uma escrava. Seguindo os passos dos pais também entalhador, iniciou-se na arte ainda criança.

Sentia-se amargurado e complexado por ter nascido de uma união ilegítima, e ser considerado um “bastardo”. Aleijadinho por volta dos 40 anos, quando passou a andar com dificuldades em conseqüência da hanseníase, doença que deformou suas pernas e mãos. E começou a sentir os efeitos da doença, quando então ganhou o apelido de Aleijadinho.

Perdeu progressivamente o uso dos dedos das mãos e dos pés e foi obrigado a andar de joelhos e a ter os instrumentos amarrados em suas mãos para poder esculpir. A limitação não o impediu, no entanto, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais. Com os instrumentos atados aos seus pulsos, ele esculpia as figuras admiráveis de beleza e arte inigualáveis como os “12 Profetas”, esculpidos em pedra-sabão e visto no adro do santuário do Bom Jesus do Matosinho, em Congonha do Campo.

Impossibilitado de andar era carregado as costas de escravos, da casa para a oficina. Ali, seus ajudantes amarravam-lhe as ferramentas nas mãos deformadas e ele trabalhava febrilmente, criando as mais belas estátuas do Novo Mundo. Foi depois da doença que sua obra começou a tornar-se realmente grandiosa.

Muitos críticos dividem a sua obra entre o período anterior a enfermidade, a sua fase de equilíbrio e serenidade. Igreja São Francisco de Assis (1766) e Igreja Nossa Senhora das Mercês e Perdões (1775), ambas em Ouro Preto, e o período posterior a elas, em que estão suas obras mais consagradas, marcadas pelo expressionismo.

Pertencente a essa última fase, entre 1796 e 1805, sua obra-prima: o conjunto de esculturas Os Passos da Paixão, Os Doze Profetas, da Igreja de Bom Jesus de Matosinho, na cidade de Congonhas do Campo. O trabalho, que reúne 66 imagens esculpidas do barroco¹ brasileiro.

Sua obra funde os diferentes estilos barroco e rococó, além dos estilos clássicos e góticos com temáticas e materiais nacionais, como a pedra-sabão. Aleijadinho morreu no dia 18 de novembro de 1814 em Mariana, MG, pobre e doente, permanecendo esquecido até o início do século, quando é redescoberto e passa a ser reconhecido como o artista mais importante de todo o período colonial brasileiro. Além das obras que estão em Ouro Preto e Congonhas, seus trabalhos podem ser vistos em outras cidades mineiras, como Sabará, São João Del Rey, Mariana, Caeté, Barão de Cocais e Tiradentes.

Aleijadinho foi o maior e mais admirado arquiteto e escultor do Brasil Colonial.

Barroco¹ - A partir de meados do século XVIII, tornou-se o estilo artístico mais marcante de Minas Gerais.


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Jose Antônio da Silva Duque - Sindicalista e Cronista

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