Mário Schenberg nasceu em Recife (PE) em 02 de julho de 1914. Começou seus estudos na Faculdade de Engenharia do Recife e depois se transferiu para São Paulo, Escola Politécnica da USP e também cursou matemática na Faculdade de Filosofia. Em 1939 partiu para a Europa tendo trabalhado no Instituto de Física da Universidade de Roma (Itália) estudando tecnicamente os raios cósmicos e a eletro-dinâmica quântica, sob a orientação de Eurico Fermi um dos pais da bomba atômica norte-americana. Mais tarde mudou-se para Zurique (Suíça), onde fez parte da equipe de Wolfgang Pareli.
Com início da Segunda Grande Guerra partiu para Paris (França) para trabalhar com Frederic Joliot-Curie e realizou estudos de física nuclear e a teoria da radiação em 1940/41 chega à teoria sobre as estrelas supernovas, batizadas de processo URCA. Foi em 1940 que Schenberg batizou o conhecido processo URCA, o ciclo de reações nucleares. URCA nesta época era o nome de um famoso casino no Rio de Janeiro e Schenberg uma vez brincou com o físico George Gamow dizendo a ele “A energia desaparece no núcleo de uma supernova tão rápida quando o dinheiro no jogo de roletas”. A palavra “URCA” transliterada para cirílico e expressão coloquial para ladrão na região sul da Rússia, inclusive em Odessa onde Gamow nasceu. Quando os dois estavam no Casino URCA (a propaganda do cassino era A.E.I.O.URCA). Retorna ao Brasil em 1948 viaja novamente para a Europa, passando residir em Bruxellas, Bélgica, fazendo pesquisas sobre raios cósmicos, por cinco anos.
Físico e político pernambucano, destacou-se internacionalmente por elaborar uma teoria que desvenda o mecanismo de explosão das estrelas supernovas. Sua obra foi elogiada por Albert Einstein. Em 1946 elegeu-se Deputado Estadual em São Paulo pelo PCB Partido Comunista Brasileiro. Atuou como professor catedrático de mecânica superior na Universidade de São Paulo de 1944 a 1969 quando foi aposentado compulsoriamente com base do AI 5 (Ato Institucional N.5). Durante a ditadura militar, recusou-se a sair do país, “pois acreditava que era seu dever cívico contribuir para conhecimento da ciência no Brasil”. Morreu em São Paulo em 09 de novembro de 1990 aos 76 anos de idade.
Largamente considerado o físico teórico mais importante do Brasil. Mário Schenberg publicou trabalhos nas áreas de termodinâmica, mecânica quantica, mecânica estatística relatividade de astrofísica. Trabalhou com dois notáveis físicos brasileiros, César Lattes e José Leite e também com o físico Ucraniano Gleb Wataghia. Em certa época Schenberg afirmava que homem da ciência precisava estar aberto ao desconhecido. “Eu não me guio muito pelo raciocínio”, em entrevista em 1984. “É a intuição que mostra a solução dos problemas”.
Schenber conviveu com destacados artistas brasileiros em artes plásticas como Di Cavalcanti, Lasar Segall, José Pancetti, Candido Portinari, e com outros estrangeiros com destaque para Pablo Picasso e Marc Chagall.
Principais livros editados “Pensando a Física”, “Pensando a Arte”, “Diálogos com Mário”, “Mário Schenberg entre-vistas”.
Mário Schenberg foi membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências da América Latina (Caraça, Venezuela). Foi autor de 114 trabalhos sobre astrofísica da Física Teórica das partículas elementares. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Física. Foi contra o acordo nuclear Brasil-Alemanha para construção de Usinas Nucleares.
Em 20 de outubro de 2006 A Fundação Joaquim Nabuco comunicou que possui um filme com 20 minutos de duração é inspirado na vida de Mário Schenberg e mistura imagens, documentos, música, etc”. |