O homem que ficou azul
Estava caminhando lentamente pela rua, achando que já estava na hora de voltar para casa quando levantou o braço esquerdo para verificar as horas. Quando olhou o pulso levou um susto e parou imediatamente. Seu braço estava azul. “Meu Deus, como pode isso!”, exclamou. Tentou manter a calma, mas quando olhou para o braço direito o desconforto aumentou, também estava azul. Desabotoou a camisa e viu que a barriga era toda azul. Pensou que aquilo até seria bonito, se todos os seres humanos fossem assim.
Achou que o problema poderia ser da sua visão e pensou até em chamar alguém para confirmar a anomalia, mas antes disso escutou um menininho chamando a atenção do pai.
- Pai, olha só, um homem azul.
Já entrando em pânico, aumentou os passos. Decidiu correr para casa e pedir à mulher que chamasse um médico imediatamente. Notou que a rua toda o acompanhava, todo mundo estupefato com sua cor. Meu Deus do céu, antes estivesse cheio de cocô, pensou. Aumentou os passos e começou a correr, mas quanto mais corria mais gente havia atrás.
Quando chegou a seu prédio entrou quase voando. O porteiro, superespantado, fechou rapidamente a grade da porta, impedindo o acesso daquela multidão.
- Que houve com o senhor, doutor?, perguntou, mas ele já havia desaparecido no elevador.
Penetrou na casa como uma bala e foi direto para a cama, gritando para a mulher que o acudisse, que chamasse um médico com urgência.
A mulher veio correndo e não entendeu nada.
- Que houve, homem? Na cama de roupa e sapato, faça-me um favor! Tá maluco?
E ele, inconformado, apontava para o rosto, as pernas, a barriga.
- Não vê isso, mulher!
- Isso o quê? Não tem nada aí.
- Como não tem, está tudo azul, não vê?
- Azul nada, homem, você está é louco. Onde você arrumou isso?
A essas alturas, diante do que a mulher falava, olhou para o braço, a barriga, a perna. Tudo normal. “Mas não é possível meu Deus, agora mesmo eu estava todo azul!” – exclamou.
- Vou chamar um psiquiatra, gritou a mulher.
A verdade é que ele nunca mais ficou azul e ninguém no mundo soube lhe explicar como aquilo acontecera.
Max Teixeira, da redação de A VOZ DA CIDADE, é membro do Grêmio Barramansense de Letras, da Academia Barramansense de Letras e da Academia Barramansense de História |
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