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Max Teixeira - literatura@avozdacidade.com

Os dias não são iguais

O relacionamento conjugal entre eles era normal, como de muitos outros casais. Jamais houve qualquer deslize de uma das partes, um acontecimento que melindrasse a vivência em comum. Os amigos eram muitos e as atividades sociais, intensas. Chegavam a causar inveja em outros casais.

Um dia, porém, ao entrar na loja de uma amiga onde comprava suas roupas, ela foi abalada por uma observação de uma funcionária:

- Aí, hem! O maridão lhe fez uma belíssima surpresa... aquela camisolinha preta deve ter lhe servido como manda o figurino. Aliás, ele tem muito bom gosto.

Mesmo descontrolada com o que acabara de ouvir ela não podia deixar transparecer sua surpresa e a súbita revolta. Eram 12 anos de uma convivência, senão amplamente feliz, pelo menos de muito respeito e fidelidade absoluta. De sua parte podia garantir. Por outro lado, jamais suspeitara que ele houvesse alguma vez procurado outra mulher.

Com muito custo, esforçando-se ao extremo, conseguiu responder à observação da funcionária:

É... realmente ficou muito bem em mim.

Em seu íntimo, no entanto, só lhe vinha uma palavra: “Cachorro!”.

A partir daí tudo mudaria em sua vida, mas optou por manter a tranqüilidade. Não tomaria uma decisão precipitada, sem ter certeza do que realmente estava acontecendo.

Passado o impacto inicial, ela contratou um detetive particular. Queria tudo em pratos muito limpos. Em qualquer circunstância mostraria sua dignidade e somente agiria mediante a comprovação dos fatos.

O detetive se colocou em campo, mas trabalhava dia após dia e nada de anormal encontrava. No fim de cada mês ia receber seus honorários e chegou a propor à cliente a desistência do caso.

- Seu marido é fiel, não há nada que desabone sua conduta. Acho que a senhora está perdendo tempo e gastando dinheiro à toa.

Realmente, os honorários do detetive já estavam causando mal-estar em casa. Ela não tinha mais como justificar ao marido o porquê de tanto gasto. E ele já começava a suspeitar que havia qualquer coisa de errado na vida da mulher. Como, onde gastar tanto dinheiro, indagava a si mesmo.

As suspeitas de ambas as partes continuavam, até que, num belo dia, o detetive ligou para a madame e solicitou sua presença urgente num apartamento distante. Lá chegando, ela foi colocada no canto de uma janela com um binóculo na mão.O calor era insuportável e ela pôde ver com nitidez o interior de um apartamento do outro lado, com a janela aberta. Lá estava um homem nu, sentado, e diante dele, de camisola preta, dançando freneticamente, ninguém menos que seu marido.

Ela não teve outras palavras: “Ah! seu veado!”.

Max Teixeira, da redação de A VOZ DA CIDADE, é membro do Grêmio Barramansense de Letras, da Academia Barramansense de Letras e da Academia Barramansense de História


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