Uma escritora completa
Professora de língua portuguesa e literatura, co-fundadora de grupos culturais em Barra Mansa, Eliette Ferreira deixou-nos uma obra literária invejável como trovadora, poetisa, cronista e contista. Pertenceu às Academias de Letras e de História, mas sua atuação principal foi no Grêmio Barramansense de Letras (Grebal), do qual foi presidente por muitos anos.
Vamos relembrar, com pequenas amostras, dois textos de sua autoria em verso e prosa:
Ostracismo
Não quero lembrar meus mortos
atemporais,
ocasionais.
Que a neblina do tempo,
Piedosa,
desça sobre eles
e encubra seus nomes...
pra nunca mais!
Na solidão das noites invernais,
por que lembrar seu canto,
sem riso, sem bailar ao vento,
se me deixaram ficar
ao longo do caminho,
em desalento,
sem aceno, sem adeus,
sem um olhar para trás...?
Ah, os meus mortos atemporais,
Ocasionais...
Tão fundo os enterrei!
Por que sangrar as mãos
a escavar lembranças
dos que não voltam mais...?
João Ninguém
Em minhas andanças pela cidade, encontro João.
Até aí nada demais, que de joões o mundo anda cheio. Só que este me fez parar e pensar.
Onze anos de fome, farrapos e mãos estendidas.
- Como vai, João?
João sabe falar, sabe ser gentil. Convida-me para um cafezinho em sua casa, “num edifício lá nas Abelhas”.
Sorrio de mentirinha inofensiva. João dorme pelas calçadas, traz nos olhos refletidos o brilho das estrelas, o sereno das madrugadas, as brisas das manhãs.
Seu corpo franzino, sua pele curtida ao sol e à chuva, falam-me, contam-me a história de seus dias.
- Onde está sua mãe, João?
Um dia os encontro. Caminham lado a lado, abordando os passantes distraídos, aborrecendo-os com sua miséria.
Olho-a. Cachimbo à boca, trouxa de molambos às costas, cabelos em desalinho, cheiro de cachaça e sujeira.
- Vem comigo, João!
Vontade de ter João, de lavá-lo, dar-lhe boas roupas, educá-lo, trazê-lo para o mundo.
João me olha. Mede as distâncias, sonha por um minuto, deixa o olhar perder-se no infinito e volta à realidade.
- E minha mãe, dona?
Já não é um menino, é um Homem.
João descalço, João maltrapilho, João faminto.
João maior que eu.
Novo acordo ortográfico
Como há grandes divergências entre o português falado e escrito no Brasil, em Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, foi decidido entre esses países proceder à unificação da língua. A intenção já existe há muito tempo, mas agora, finalmente, o acordo é finalizado e está previsto para ser posto em prática no Brasil no próximo ano, segundo o MEC.
Alguns gramáticos são contra essa unificação e simplificação, achando, inclusive, que ela é feita para piorar as coisas. Outra reforma, feita em 1910, fez alterações bastante lógicas na ortografia, quando se grafava pharmacia, christalino etc.
Nas próximas edições da coluna pretendemos abordar as modificações a serem efetuadas.
A palavra mais longa
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose é uma palavra cunhada por Everett M. Smith, presidente da National Puzzlers’ League, para ser a mais longa de língua inglesa. A intenção era descrever uma condição conhecida por silicose. O portador da doença é chamado de pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, sendo esta a maior palavra da língua portuguesa, com 46 letras. Ela ganhou registro oficial pela primeira vez em 2001, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.
Sinônimos
É impressionante como certas palavras da língua portuguesa têm sinônimos, a maioria formados por gírias. Os órgãos genitais, masculino e feminino, talvez sejam recordistas, mas não vamos citá-los aqui.
Vamos ver a palavra dinheiro, por exemplo. Está certo que muitos sinônimos são pouco populares: arame, bagalhoça, bagarote(s), bomba, bronze, capim, caraminguá(s), caroço, cobre(s), erva, estaleca, ferro, gaita, grana, jabaculê, jibungo, jimbo, jimbongo, jimbra, metal, milho, bufunfa, mufunfa, níquel, nota, numerário, óleo, ouro, pacotes, pataca, pecúnia, prata, tacho, tostão, tutu, vento, verba, zinco, tubos e outros.
Max Teixeira, membro do Grêmio Barramansense de Letras, da Academia Barramansense de Letras e da Academia Barramansense de História – e-mail: maxteixeira05@gmail.com |