Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Rio Claro, em 17 de agosto de 1841, e faleceu em Niterói, em 17 de fevereiro de 1875 Fagundes Varela, o poeta rioclarense
, com apenas 34 anos. É o patrono da Cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Lúcio de Mendonça. Passou a infância na Fazenda Natal e na Vila de São João Marcos, de que o pai era juiz. Depois, residiu em várias cidades do país. De volta à terra natal, residiu em Angra dos Reis e Petrópolis, onde fez os estudos do primário e secundário. Em 1859, foi terminar os preparatórios em São Paulo. Só em 1862 matricula-se na Faculdade de Direito, que nunca terminou, preferindo a literatura e dissipando-se na boemia. Em 1861, publica o primeiro livro de poesias, Noturnas.
Após uma vida atribulada, recolhe-se à casa paterna, na fazenda onde nascera, e permanece até 1870, poetando e vagando pelos campos. Em 1870 mudou-se com o pai para Niterói, onde viveu até o fim da vida.
A poesia de Varela revela um hábil poeta do verso. Embora o preponderante em sua obra seja a angústia e o sofrimento, evidenciam-se outros aspectos importantes: o patriótico, em O estandarte auriverde (1863) e Vozes da América (1864); amoroso, na fase lírica, dos poemas ligados à natureza, e, por fim, o místico e religioso. Aqui vão duas pequenas mostras de sua poesia:
Ideal
Não és tu quem eu amo, não és!
Nem Teresa também, nem Ciprina;
Nem Mercedes a loira, nem mesmo
A travessa e gentil Valentina.
Quem eu amo te digo, está longe;
Lá nas terras do império chinês,
Num palácio de louça vermelha
Sobre um trono de azul japonês.
Tem a cútis mais fina e brilhante
Que as bandejas de cobre luzido;
Uns olhinhos de amêndoa, voltados,
Um nariz pequenino e torcido.
Tem uns pés... oh! que pés, Santo Deus!
Mais mimosos que uns pés de criança,
Uma trança de seda e tão longa
Que a barriga das pernas alcança.
Não és tu quem eu amo, nem Laura,
Nem Mercedes, nem Lúcia, já vês;
A mulher que minh'alma idolatra
É princesa do império chinês.
Beto:
A flor do maracujá (juntar os seis primeiros versos)
Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!
Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.
Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.
Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!
Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensanguentado
Da flor do maracujá!
Por tudo que o céu revela!
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!!..
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!
Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!
Max Teixeira é da equipe do A VOZ DA CIDADE e membro do Grêmio Barramansense de Letras, da Academia Barramansense de Letras e da Academia Barramansense de História
E-mail: maxteixeira05@gmail.com |