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Max Teixeira - literatura@avozdacidade.com

Um escritor na acepção da palavra
           
            José Fleming nasceu em Conceição do Rio Verde-MG, em 1929. Está em Barra Mansa desde 1955 e é vice-presidente do Grebal, membro da Academia Barramansense de Letras (ABL), da Academia Barramansense de História (ABH) e do Conselho Municipal de Cultura.
            Em 1966, publicou seu livro de estreia, Balaio de paiol, premiado em segundo lugar no Concurso Nacional de Obras Publicadas, da Academia de Letras e História de São Lourenço-MG.
            Em 1977, obteve a Medalha de Ouro no Concurso Nacional de Contos, promovido pela Editora Valença-Rio, com o conto As duas ossadas.
            Em 2003, em co-autoria com Eliete Ferreira e Francisco Nogueira, publicou o livro de contos Os olhos do falecido, e em 2006 publicou o livro de contos Peneira Furada.
           Tem participação na maioria das publicações do Grebal.
            Fleming tem no prelo o poema brasílico – Fiat Brasiliae – que relata a fundação de Brasília, escrito em 1960. Pretende lançá-lo no cinquentenário de Brasília, pela Academia Barramansense de História.
            Possui, inédito, o livro de contos surrealistas Histórias da lua negra e o de poemas Chuvas de janeiros.
            Segundo o crítico literário Francisco Nogueira (in memoriam), “um autor versátil e criativo que se destaca pela riqueza de expressão e pela variedade dos temas que explora, do convencional ao surrealista, incursionando pelo conto regional e histórico, mitológico e fantástico”.
Vejamos dois poemas de José Fleming:
           
O ipê morto
No meio da mata, sem folhas, sem flores,
do ferro lanhado apodrece o ipê.
Ao lado do tronco, dos corvos bicado,
alveja-se a ossada de um lenhador.
Quem o matou? Não sei! Talvez uma cobra,
que perto do tronco do sono desperto,
as presas ferrou-lhe no bote fatal.
Talvez uma fera, no campo vagante,
a morte lhe trouxe nas garras das patas.
Ou o vil Curupira, da mata cuidoso,
a vida levou-lhe no susto repente?
Eu não sei! Ninguém sabe! Certo ou errado,
olhando o colosso caído no chão,
lá junto dos ossos – eu disse comigo:
“Que justo castigo lhe deu o destino!
Quem ipês derruba viver não merece!”

O funeral da lua
Ontem à noite a lua dormiu nesta colina,
Quando não mais quis perambular no céu.
Fez seu casto leito nas touças de capim,
Que ciganos ventos das serranias vindo
Amassaram para ela. Na quietude da noite,
Quando fria se deitou, mais escuros ficaram
Os vales solidários. Boêmios pirilampos
Acendendo os lampiões saíram a namorar
Pelas campinas verdes. Eu, que pastoreava
No cume da colina, no tronco de coivara
Cansado me deitei. Nos meus lábios pus
A flauta de bambu e da lua que dormia
O sono acalentei. Era uma toada de amor
Que da flauta rude refluía docemente.
Quando de mãos dadas a manhã nascente
Trouxe consigo o sol, a lua em seu berço
Foi-se esmorecendo sob o clarão do céu.
Meu canto de himeneu que embalava a lua,
Tornou-se uma nênia agreste, ao vê-la
Sumir, devagarinho, nas cores sepultada,
do dia que nascia nas franjas do horizonte.

Um embaixador do Grebal
O grebalista Antonio Roberto Maia recentemente fez um trabalho de formiguinha unindo o Grebal à Escola de Especialista de Aeronáutica, em Guaratinguetá. Ele levou para as três bibliotecas daquela unidade cerca de 70 livros de autores grebalistas que lá foram muito bem recebidos.
Maia fez amizades na EEAR, principalmente com a major Nidia Silva de Freitas, da seção de Comunicação Social, SO SAD George e a II tenente Denise.
Parabéns.


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