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Ingrid Oliveira Pereira - meioambiente@avozdacidade.com

SERPENTES – AS FALSAS VILÃS DA NATUREZA

Os ofídios, mais conhecidos como cobras ou serpentes, são animais fantásticos e fascinantes que ao contrário do que todos pensam, só atacam para se defender e desempenham um papel biológico fundamental na natureza, onde são parte essencial da cadeia alimentar.

Esses animais intrigantes que causam pânico em quase todas as pessoas representam atualmente uma mina de ouro devido à importância de seu poderoso e precioso veneno.

Segundo pesquisas, o material enzimático encontrado no veneno dos ofídios tem possibilitado um grande avanço na área médica e esse mercado promissor tem um papel decisivo na vida desses animais, pois a perspectiva de um futuro promissor tem propiciado a biopirataria desses animais, uma vez que, por dinheiro, as pessoas estão retirando as serpentes de seu habitat e exportando de maneira absurda.

O Brasil é um dos maiores produtores de antídotos e remédios, feitos a partir de veneno ofídico, principalmente jararacas e cascavéis, e possui uma variedade gigantesca desses animais espalhados por todo o território brasileiro. Contudo, cobras como surucucus e corais, que são tão preciosas para tais pesquisas, não têm a mesma facilidade para se adaptarem e são vítimas do desmatamento desenfreado e do tráfico de animais, por esta razão estão desaparecendo da natureza, antes mesmo que seu veneno possa revelar descobertas preciosas para a medicina.

As serpentes carregam um dos maiores estigmas do reino animal. Com um papel fundamental no equilíbrio ecológico, elas sempre foram encaradas como apenas um perigo para o homem que as abate impiedosamente.

Apesar da periculosidade de seu veneno e do alto índice de acidentes, elas são as maiores responsáveis pelo controle dos níveis de roedores que matam infinitamente mais seres humanos. Portanto, reduzir o número de serpentes representa aumentar a quantidade de roedores e todos os problemas gerados por eles, além de interferir violentamente na cadeia biológica.

Então, como conviver com esses animais tão importantes para o meio ambiente, sem ser afetado com a sua presença?

Uma boa saída é evitar lixos e entulhos que possam favorecer abrigo ou alimentos a roedores, que são seus principais atrativos.  Nas áreas naturais de ocorrência, como plantações e beira de rios e córregos, o uso de botas e luvas (para a colheita) reduzem em mais de 80 % os riscos de acidentes.

Não há como negar seu perigo, mas também não há como ocultar sua grande importância. Nos últimos anos o veneno botrópico (jararaca) tem sido muito estudado e já faz parte de uma série de medicamentos relacionados à problemas circulatórios que vêm salvando vidas humanas e cada vez mais estudos e descobertas de possíveis usos para benefício do homem têm acontecido pelo mundo todo.

Vamos esperar que elas consigam superar a devastação de seu ambiente e as intempéries humanas. Afinal, foram nossas ações que destruíram seu habitat, nós transformamos seu lar num pasto, portanto, será que temos o direito de matá-las por invasão de domicílio e chamá-las de vilãs. Realmente, só estamos colhendo o que plantamos, mas podemos mudar essa situação vivendo harmoniosamente com esses animais maravilhosos se respeitarmos o seu espaço, assim ela respeitará o nosso.


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Bióloga Ingrid Oliveira Pereira

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