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A reportagem de A VOZ DA CIDADE saiu às ruas de Barra Mansa para perguntar a população o que eles estavam achando da greve, e se estavam sendo prejudicados em algum sentido.
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“Acho a greve muito válida. Sou a favor da categoria. Eles trabalham muito e há uma defasagem no salário deles”, opina a auxiliar de serviços gerais, Regina Vieira, 52 anos
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“Concordo que eles devem lutar pelos direitos, mas poderiam fixar alguns horários para não prejudicar tanto a população”, conta Juliana Aparecida, 30 anos, que estava há cerca de três horas na rodoviária da cidade tentando alguma condução para Barra do Piraí.
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“Moro no Boa Vista II e meus patrões tiveram que ir me buscar em casa, senão não teria como eu vir. Vejo o lado deles, mas deveria ter alguma outra alternativa”, declara o comerciário Leonardo Tobias, 22 anos. |
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SUL FLUMINENSE - Cento e vinte mil usuários ficaram sem transporte coletivo ontem depois que o Sindicato dos Rodoviários do Sul Fluminense deflagrou greve até que os empresários do setor apresentem uma proposta diferente da que foi apresentada na Mesa Redonda de negociações na última sexta-feira, na Sub-delegacia Regional do Trabalho, (DRT/VR). A greve pegou a população de surpresa, embora a categoria já estivesse em estado de greve há duas semanas, como foi noticiado exclusivamente pelo A VOZ DA CIDADE. Nas primeiras horas da manhã o quadro nas cidades envolvidas com a greve era de pontos de ônibus lotados, com trabalhadores e estudantes sem saber como chegariam ao trabalho. Eles se viraram como puderam: uns foram de carona, outros de bicicleta, outros a pé, como o estudante Richard Henrique Abreu, que mora no Cajueiro e estuda no Conforto, em Volta Redonda. “Não dá para matar aula. Não sei quanto tempo vai durar a greve”, lamentou.
A greve aumentou a frota de carros nas ruas, resultando em congestionamento nos pontos principais da cidade, como Vila Santa Cecília, Centro e Retiro nos horários de pico. Foi grande também o número de bicicletas nas ruas, e de vans e kombis fazendo o transporte da população.
A maioria dos comerciantes teve que mandar buscar os funcionários em casa. O gerente de uma loja de calçados em Barra Mansa, Antônio Lira, revelou, inclusive, que a loja abriu mais tarde ontem devido ao atraso de alguns funcionários. “Hoje (ontem) tínhamos uma modificação a fazer na loja e devido a greve muito funcionários precisaram vir a pé, e por isso registramos atraso na abertura do estabelecimento. Além disso, o movimento nas vendas acaba sendo afetado”, ressaltou.
As cidades atingidas foram Paraty, Rio Claro, Lídice, Barra Mansa, Volta Redonda, Quatis, Porto Real, Resende, Itatiaia, Pinheiral, Barra do Piraí, Piraí, Valença, e Rio das Flores.
EDUCAÇÃO E SAÚDE
A Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Aço explicou que todas as escolas e creches da rede foram mantidas em funcionamento, mas em algumas houve falta de professores, que não tiveram como se deslocar para o trabalho. Como o órgão não tinha como mandar buscar todos em casa, a solução foi atender os alunos com o corpo docente disponível.
O mesmo aconteceu nos estabelecimentos de ensino barramansense. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, nenhuma escola ficou fechada. Foi registrada falta de alguns professores e alunos, mas elas não afetaram as atividades escolares.
Os postos de saúde também funcionaram. Segundo recepcionistas da unidade do Aterrado, se a greve persistir, os funcionários que não dispõem de carro também terão dificuldades para chegar ao local de trabalho.
TUMULTO E CONFRONTO
Nas primeiras horas do dia houve tumulto na porta de algumas empresas e alguns ônibus foram apedrejados e tiveram seus pneus esvaziados e até furados. Em Volta Redonda os rodoviários concentraram seus piquetes na porta da Viação Elite, no bairro Jardim Belvedere. A empresa é do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Sindpass), Paulo Afonso, que não foi localizado para comentar a greve. Pelo menos 50 motoristas e cobradores amanheceram na empresa para impedir a saída de veículos. Os ônibus que furaram o bloqueio e conseguiram deixar as garagens tiveram os pneus esvaziados e acabaram sendo recolhidos. Durante a manifestação houve confronto com a Polícia Militar e os rodoviários reclamaram da truculência dos policiais, que usaram spray de pimenta para conter os manifestantes.
Em Barra Mansa, cinco manifestantes foram levados para a 90ª DP por suspeita de danificar os ônibus, sendo quatro deles liberados por falta de provas, e um preso em flagrante com uma pedra. Três ônibus também foram recolhidos para a delegacia.
Além disso, alguns rodoviários se queixaram de agressão por parte dos policiais. O Comandante do 28º Batalhão da PM, tenente-coronel Kleber dos Santos Martins, explicou que a polícia não agride, mas apenas se defende quando os manifestantes partem para cima. Segundo ele, 70 policiais do setor administrativo do batalhão foram designados para garantir a ordem nas portas das empresas da cidade. “A dificuldade que enfrentamos é que as pessoas não entenderam o determinado pela Justiça”, disse, comentando a liminar concedida pela juíza Linda Brandão, determinando a liberação de ônibus para não deixar a cidade parada. “Não somos contra o direito de fazer greve. Somos contra os ataques aos ônibus. Este fato caracteriza a prática de um delito”, avaliou.
No momento em que 11 veículos deixaram a garagem da Elite houve protestos. Os ônibus saíram, mas enfrentaram problemas, tendo pneus esvaziados e até vidros quebrados. Um dos ônibus teve que ser recolhido na 93ª DP, em Volta Redonda. Pelos menos três manifestantes foram detidos.
PRESIDENTE
O presidente do Sindicato, Raimundo José Filho, avaliou como positivo o primeiro dia da greve. “Tivemos alguns problemas no decorrer do dia, onde ocorreram alguns incidentes que o sindicato não concorda, mas tivemos um apoio de cerca de 80% da categoria, da população e de outros sindicatos que acreditam na nossa causa”, declarou, lembrando que a greve continua. “Nós estamos esperando que os patrões nos convidem para uma nova negociação. Estamos abertos a qualquer hora do dia. Até lá continuaremos paralisados”, ressaltou.
Segundo Raimundo, pertencem à categoria da base do sindicato cerca de 14 mil rodoviários e 35 empresas de transporte. Ele classificou como absurdo que nos últimos sete anos os empresários terem conseguido cerca de 300% no reajuste das passagens nos últimos anos, e os trabalhadores não terem chegado nem perto deste número. “Estamos com uma perda salarial de 12 anos. Há sete anos a passagem em Barra Mansa custava R$ 0,70 e hoje custa R$ 2, sendo que nosso salário não acompanhou este aumento”, criticou.
LIMINAR
No início da tarde já era possível verificar alguns ônibus rodando novamente nas cidades. A razão foi uma liminar expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. De acordo com o documento, 30 % das frotas de todas as linhas das empresas deveriam circular durante todo o dia, e 50 % nos horários de pico, que seria das 5 às 10 horas, e das 17 às 21 horas.
A juíza da 1ª Vara do Trabalho, Linda Brandão, explicou que na noite de domingo avisou verbalmente os integrantes do sindicato sobre a liminar, mas que não foi possível a entrega oficial do documento. “Eles estavam cientes da determinação, mas ela não foi cumprida. Nenhuma greve pode ser deflagrada desta maneira por um serviço de utilidade pública. A greve é um direito do trabalhador, mas ela deve ser feita dentro do que a lei impõe”, salientou.
Devido ao não cumprimento da determinação, a juíza declarou que o Sindpass entrou com uma petição para que a liminar fosse respeita. “Como eles estavam descumprindo o que a lei de greve assegura, o Sindpass entrou com uma nova liminar determinando que o sindicato além de cumprir a determinação de rodarem com alguns ônibus, se fizesse uma multa diária para o descumprimento e eu determinei que o único responsável por danos seria o sindicato”, conta, ressaltando que nenhum empregador pode ser constrangido e ameaçado.
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