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VOLTA REDONDA - O poeta da região e professor de língua portuguesa e literatura Antônio Oliveira Pena é um grande apreciador da poesia clássica. Há alguns meses, ele vem trabalhando num novo livro do gênero, que se constitui de 21 peças e deve ser inserido em seu volume de versos denominado O Invólucro da Noite.
Ele se diz um amante dos versos medidos e da sua musicalidade, não deixando, por essa razão, de cultivá-los, em particular os dodecassílabos. “São aqueles constituídos de 12 sílabas, que mais se enriquecem quando enfeixados em dois quartetos e dois tercetos, ou seja, em sonetos, poemas de forma fixa, cuja aceitação tem chegado até os dias de hoje”, explica o autor, acrescentando que Camões os cultivou em abundância.
Pena acaba dando uma aula ao explicar a preciosidade dos versos que trabalha. “No Brasil, de Gregório de Matos aos árcades, esteve presente, tendo desaparecido um pouco no período do Romantismo, mas retornado com toda a ênfase pelas mãos magistrais dos parnasianos, que tanto os elevaram e dignificaram. Após os parnasianos, ou paralelamente a eles, também os simbolistas, bem amiúde, os compuseram”, diz Pena completando que desde seu surgimento o que neles tem mudado é a roupagem, a retórica, o discurso. “Poetas há que os fazem despidos do colorido das rimas, sem que percam, contudo, a beleza e o esplendor. Outros os dividem as estrofes de forma um tanto irregular, não levando tanto em conta a rima perfeita e sua distribuição. Mesmo com referência à métrica, tem havido um certo relaxamento ou, mais propriamente falando, uma procura pelo novo”, afirma.
NOVO LIVRO
O livro O Invólucro da Noite desde dezembro do ano passado está inscrito em um Projeto de Lei de Incentivo à Cultura, da Secretaria de Cultura de Volta Redonda, que tem assiduamente publicado autores da cidade, após passarem os trabalhos por uma comissão julgadora. “Estou à espera de uma resposta da Secretaria de Cultura desde o ano passado. Mas isso não me tira os ânimos caso não seja meu livro também aprovado. Todos os caminhos levam a Deus” – acredita.
No detalhe, “dois momentos” daquilo que o autor tem de inédito para os admiradores desse gênero poético:
DOIS MOMENTOS NUMA PÁGINA
I / INFÂNCIA
Um tempo houve em que, menino, errava
por vielas e ladeiras, distraído;
um tempo em que pra mim se revelava
alegre a vida, em meio ao alarido;
e em que a ser livre só eu aspirava,
fitando o horizonte, comovido;
e em que às vezes o vento, ao meu ouvido,
alguma coisa mágica contava...
Que o ser criança é ouvir... é ouvir falar
o vento e tudo mais; é imaginar
um mundo sem igual, maravilhoso!
É inventar e reinventar caminhos;
e, puro e simples, como os passarinhos,
crer também seu o céu vertiginoso!...
II / BUCÓLICO
A despontar, sangüínea, a madrugada;
a cerração lagos cobrindo, rios;
descalços pés pelas campinas, frios;
o assoviar que chama a bezerrada...
O doce chilrear da passarada;
e os pinheiros – ainda que sombrios –
ao longe, na montanha, tão esguios;
o que é às vezes, aos homens, mesmo nada:
o fogo que se acende, o cheiro morno
de um café que se côa, um gato em torno
das pernas, sonolento, a ronronar...
Há de ao campo meu verso celebrar:
o que é mais tosco tenho preferido
ao fumo da cidade e ao seu ruído!
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