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BARRA MANSA - Depois de 25 anos de dedicação no Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, o sargento Magalhães, 51 anos, está indo para a reserva. Natural de Barra Mansa, casado há 30 anos, pai de dois filhos, o militar se despede da corporação com a certeza do dever cumprido.
O sargento Magalhães já trabalhou em cinco cidades do Sul Fluminense; além de Barra Mansa, já prestou serviço em Barra do Piraí, Volta Redonda, Resende e Valença. Com anos de experiência o bombeiro, guarda na memória lembranças ruins e outras inesquecíveis. “Lembro da minha primeira ocorrência, minhas pernas não paravam de tremer, o barulho da sirene era de assustar”, relembra o sargento.
As tragédias também não saem da cabeça de Magalhães, que ao atender uma ocorrência de resgate no Rio Paraíba do Sul, descobriu que a vítima era a esposa de um parente. “Para essas coisas nunca estamos 100% preparados. Lembro de um incêndio em uma loja de eletrônica na Rua Mário Ramos, onde morreram duas pessoas. Nem sei dizer de quantas ocorrências participei, mas uma me marcou para sempre. Foi um acidente na Via Dutra, onde quatro pessoas faleceram, entre elas uma criança de 11 anos. Infelizmente não puder fazer nada e isso para um bombeiro militar é muito triste”, desabafa o sargento.
Mas nem só de tragédias vive a profissão de bombeiros. O sargento, que agora foi para reserva como sub-tenente, já recebeu dois títulos de cidadão por serviços prestados, um em Itatiaia e outro em Barra Mansa. Nos últimos anos trabalhava como motorista da ambulância da corporação e teve o privilégio de acompanhar um parto. Ele lembra com muita emoção que a gestante entrou em trabalho de parto em plena Dutra.
Como motorista do Corpo de Bombeiros, o sargento sempre tentou priorizar o tempo e o atendimento em qualquer circunstância; já socorreu pessoas mesmo estando de folga. “Este fator é muito importante; uma vítima não pode ficar esperando pelo resgate, em segundos podemos salvar uma vida ou perdê-la, por isso o tempo é importante. Já recebi vários elogios por causa da rapidez em que a viatura chegava ao local do acidente, e também pelo atendimento feito”, comenta o sargento.
Mesmo depois de 25 anos de zelo pelo próximo, o sargento Magalhães confessa que não irá se desligar completamente dos afazeres da profissão. Segundo ele, vai para reserva, mas não deixa o Corpo de Bombeiros. “Vou me dedicar a conseguir recursos para os bombeiros e polícia militar. Por exemplo, as duas entidades precisam de equipamentos e estrutura, para melhor atender a população. A profissão de bombeiro precisa estar amparada na insalubridade e o policial militar na periculosidade; além de baixos salários, o governo não dá às corporações esse direito”, explica.
O sargento também pretende apresentar um projeto para que seja criado dois postos avançados de resgate em Barra Mansa, um no bairro Barbará e outro na estrada de acesso a Angra de Reis. Para ele isso irá viabilizar o trabalho dos bombeiros. “Tenho muitos projetos e agora terei tempo de colocá-los em prática. Vou buscar benefícios para os bombeiros que irão ajudar também a sociedade”, conclui o sargento. |