RESENDE
O Banco Central (BC) divulgou na terça-feira pesquisa sobre a inadimplência abrangendo 20 linhas de financiamento: 13 são para empresas (pessoa jurídica) e 7 para pessoas físicas. O resultado apontou o cartão de crédito para pessoa física como o financiamento de maior inadimplência e taxa de juros. Segundo o BC, em maio, as operações com atraso acima de 90 dias envolvendo cartão de crédito chegou a 29,5% e os juros do financiamento é o mais caro do mercado, faixa de 238,3%. A taxa média de inadimplência, de todas as modalidades de crédito, totalizou 6% em maio. A inadimplência com cartão de crédito é quase cinco vezes maior do que a média geral e 3,6 vezes superior à média de todas as operações bancárias com pessoas físicas.
O BC informa ainda que as operações com cartão de crédito com atrasos acima de 15 dias somaram 42% de todas as operações desta modalidade em abril. Segundo especialistas em finanças e no direito dos consumidores, os dados da inadimplência divulgados pelo BC justificam o que chamam de ‘fantasia’ dos contribuintes no momento de pagar pelas compras parceladas sem juros com o cartão de crédito. É comum o portador utilizar o limite máximo do cartão se esquecendo da soma final das parcelas, ainda que pequenas a cada transação, nas faturas mensais. Sem quitar uma compra e acumulando outras, o portador tende a pagar somente o valor mínimo do preço total da fatura. A prática do crédito rotativo, geralmente, é decisiva para a inadimplência devido aos valores cumulativos somados aos juros e outras taxas.
A economista Isabelle Paiva da Costa Santos, frisa que é necessário uma educação financeira, principalmente entre os jovens. “É comum vermos jovens com cartão de crédito pagando pelas suas compras em shoppings e lanchonetes. A maioria gasta além da conta e os pais acabam tendo de intervir. Entre os adultos observamos o estilo consumidor otimista extremo: ‘vou comprar porque sei que conseguirei pagar’. Mas, no fim do mês acaba pagando o valor mínimo, no mês seguinte também e daí cria-se uma bola de neve que termina na inadimplência pelos valores somarem com juros. A dica é manter uma educação financeira, planejar e gastar o necessário, sem comprometer todo orçamento”, frisa.
Situação vivida pela atendente Amanda Bastos, que perdeu os dois cartões que havia conquistado durante o primeiro emprego. “Eu tinha dois cartões, um era de uma loja inclusive. Comprava de tudo, entusiasmada pelo poder aquisitivo. Parcelava as compras até que a fatura extrapolou minhas despesas e entrei no SPC. Paguei o valor mínimo, mas não adiantou, virou bola de neve. Agora é tentar juntar dinheiro e quitar tudo, são quase R$ 2,5 mil”, comenta.
PROCON
A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor alerta que a administradora pode retirar a opção do pagamento mínimo e exigir o valor integral da fatura. A instituição financeira não é obrigada a parcelar o débito/dívida do cartão de crédito e o valor lançado nas faturas após o vencimento e os encargos poderão ser cobrados a qualquer momento. Segundo o Programa de Defesa do Consumidor de Resende, a cada 100 consumidores atendidos 60 questionam situações relacionadas ao cartão de crédito. “A maioria busca alternativas para redução dos juros. Numa fatura de R$ 1 mil, por exemplo, a taxa mínima de 10% é paga e sobram R$ 900 para o mês seguinte. Daí o valor vai se acumulando. Algumas operadoras praticam taxas de até 15,9% ao mês e pagar o mínimo não é vantagem”, informa o diretor Edgar Monteiro, orientando os consumidores. “Muita gente está inadimplente no SPC/Serasa por causa do cartão e nos procura para orientações. Temos dois advogados e dois assessores jurídicos aptos a prestar apoio aos consumidores contra abusos. A dica é evitar o pagamento do valor mínimo da fatura”, frisa. O Procon de Resende está situado a Rua Ezequiel Freire, nº 11, no Centro. |